quinta-feira, 16 de setembro de 2010

UMBANDA - Os Motivos



             Muitos ignoram certas verdades sobre a Umbanda e a julgam apressadamente, sem conhecer seus ideais, gerando todas as dificuldades e o preconceito que ela vem enfrentando. Os maiores culpados disso são os próprios pais-de-santo e ditos Chefes de Terreiros que por também, muitas das vezes, não conhecerem estas verdades, manipulam e enganam os adeptos e a si mesmos, julgando estarem praticando a Umbanda quando na realidade são meros instrumentos de "entidades" ou espíritos que não tem o mínimo de conhecimento das questões espirituais, quando também não se deixam levar por sua vaidade pessoal e na maioria das vezes são mal informados sobre a origem e a verdadeira natureza da Umbanda, o que os leva a confundi-la com os Cultos de Nação ou com o Espiritismo. Sendo assim tentaremos trazer aqui um pouco de luz sobre o assunto.

          
            A história nos mostra que desde que os Negros foram tirados a força de sua terra natal, na África, e trazidos para o Brasil com rancor e ódio em seus corações, feridos em sua dignidade e distantes da pátria que amavam, muitas das vezes, enganados, feitos prisioneiros e escravos, resultou assim em muitos anos de lutas e dores. Os Negros tentavam manter seus costumes na cultura e na religião, que se baseava na evocação das forças da natureza, as quais denominavam “Orixás”, que eram uma espécie de deuses, a que cultuavam com todo fervor de suas vidas.


             Com o tempo aprenderam a se vingar de seus senhores e déspotas, através de pactos com entidades trevosas e com a magia negra, que não era outra coisa se não as energias magnéticas da natureza empregadas de forma equivocada. Dessa maneira o culto inicial aos Orixás foi se transformando em métodos de vingança e em pactos com entidades trevosas que assumiam a forma dessas forças da natureza ou Orixás, esses Cultos que na época eram nada mais que um disfarce para uma série de atividades menos dignas no campo da magia.

             Com o tempo foi se formando uma atmosfera psíquica indesejável no campo áureo do Brasil, que havia sido destinado a ser a Pátria do Evangelho, onde estava sendo implantada a árvore abençoada do Cristianismo, pelas bases eternas do Espiritismo. A psicosfera no ambiente espiritual da nação estava sendo afetada pelas energias negativas de tal forma, que entidades ligadas aos lugares de sofrimento encarnavam e desencarnavam conservando assim o ódio em seus corações, com exceção daquelas que entendiam o aspecto espiritual da situação. Dessa forma a magia negra foi se espalhando em forma de culto pelas terras brasileiras, de norte a sul do país onde as oferendas, os despachos ou ebós, eram oferecidos pelos adeptos desses cultos, que se multiplicavam a cada dia, aumentando ainda mais a crosta mental negativa que vinha se formando sobre os céus da nação.

             No Mundo Espiritual reuniram-se então, entidades de alta hierarquia com o objetivo de encontrar uma solução para desfazer a agrégora negativa que se formava na psicosfera do Brasil. A magia negra deveria ser combatida, seus efeitos destrutivos haveriam de ser desmanchados de maneira a transformar os próprios cultos degradantes em lugares que irradiassem o Amor e a Caridade, única forma de modificar o panorama sombrio que vinha sendo criado.


             Havia então a necessidade de que os próprios espíritos, mais evoluídos e esclarecidos, se manifestassem para realizar tal cometimento, e assim foram se apresentando, uma a uma, aquelas entidades iluminadas que haveriam de modificar suas formas perispirituais, assumindo assim, a conformação de Orixás, e entidades como Preto-velhos e Caboclos, onde levariam a mensagem da Caridade através da Umbanda, cujo objetivo inicial, seria o de desfazer a carga negativa que se abatia sobre os corações dos homens no Brasil.

             A Umbanda seria o elo de ligação com o Alto, penetraria aos poucos nos redutos da magia negra, os quais ainda se mantinham enganados quanto as Leis do Amor e da Caridade, e iria então transformando, com as palavras e os ensinamentos das entidades, os sentimentos das pessoas. Para isso era necessário que elevados companheiros da vida maior renunciassem certos métodos de trabalho, considerados mais elevados, e se dedicassem às atividades que a Umbanda propunha. A essas entidades, se juntaram a antigos espíritos de escravos e índios, que em sua simplicidade e boa vontade, se propuseram a trabalhar para mostrar aos homens as lições sagradas da Umbanda, auxiliando assim na cura de doenças e transmitindo lições de Amor e Caridade.

             A Umbanda utiliza um vasto simbolismo em seus trabalhos, e ela tem nesse simbolismo um de seus fundamentos, simbolismo este, que se aplica na identificação das entidades e dão sustentação as linhas de trabalhos espirituais, cada qual com seu nível vibratório. Esse simbolismo também identifica o campo vibratório a qual a entidade desenvolve seu trabalho, e sob qual Orixá, ou força da natureza, é regido.

     
      Podemos observar esse simbolismo desde sua fundação,em 15 de novembro de 1908, na cidade de Niterói/RJ, quando o grande mentor espiritual, que teve a missão de rasgar o véu da ignorância e estabelecer os fundamentos da Umbanda como religião, se manifestou na forma perispiritual e se identificou como “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, nome este totalmente simbólico, pois “Caboclo” era a palavra destinada às pessoas mestiças, e “Sete Encruzilhadas”, que são as sete linhas de trabalhos da Umbanda, os sete caminhos, que são regidos pelo Orixá maior “Oxalá”, este regente do nosso planeta. Com isso concluímos que a Umbanda é uma religião sem distinção de raças e credos e que através da Fé, que é o “Mistério” regido por Oxalá, tem o objetivo de levar a mensagem da Caridade e do Amor ao próximo.

             Na verdade, com isso a Umbanda tem conseguido seu intento e aos poucos vão sumindo dos corações oprimidos o desejo de vingança, o ódio e o rancor, os cultos afros vão se transformando em sua essência, auxiliando assim no progresso daqueles que sintonizam com tais expressões religiosas, com isso a Umbanda vem modificando o aspecto desses cultos e os transformando gradativamente numa religião mais espiritualizada.

             Na palavra das entidades, a Lei da causa e efeito é ensinada por meio de “Xangô”, que simboliza a justiça, a reencarnação quando falam, de sua outra vida e da oportunidade de voltar a Terra, em um novo corpo, para corrigir erros do passado e ajudar seus filhos, as forças das matas e das ervas, são ensinadas na fala de “Oxossi”, o Amor é personificado em “Oxum”, e a força de transformação e a energia da Vitalidade se apresentam nas palavras de “Ogum”.

             Mas ainda há muito que fazer, muito trabalho a realizar, nossa explicação não esgota o assunto, mostra apenas um aspecto da Umbanda, que guarda suas raízes em épocas muito distantes do tempo, e que apesar de ser uma religião nova, com quase um século de existência, vem crescendo e ganhando forças a cada dia. Uma pena muitos pais-de-santo e chefes de Terreiros não serem conscientes de tudo isso, e é essa ignorância a maior responsável pela visão errada que a maioria das pessoas tem em relação aos rituais sagrados da Umbanda, é por isso que devemos nos instruir cada vez mais sobre os fundamentos e raizes de nossa religião, e que através desse estudo e da experiência que vivenciarmos no dia-a-dia de nossos trabalhos possamos corrigir todos os equívocos.

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